As canetas emagrecedoras viraram assunto em todo lugar, com promessas enormes de um lado e muito medo do outro. A verdade fica no meio: elas funcionam de verdade, mas são medicamentos sérios, com indicação e acompanhamento médico. Este texto é informativo e não é uma recomendação de uso.
O que são as canetas emagrecedoras?
São medicamentos injetáveis que imitam hormônios do intestino e reduzem o apetite, o que ajuda a comer menos sem tanta fome. As mais conhecidas são a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro). O uso é semanal e só com prescrição médica.
Vale separar uma confusão comum: Ozempic e Mounjaro foram criados para diabetes tipo 2, e Wegovy é a versão da semaglutida aprovada especificamente para obesidade.
As canetas emagrecedoras funcionam mesmo?
Funcionam, e o efeito é grande. Em um dos principais estudos com semaglutida (STEP 1), a perda média de peso foi de cerca de 15% em 68 semanas. Com a tirzepatida (estudo SURMOUNT-1), a perda ficou entre 16% e 22,5%, dependendo da dose. É bem mais do que a maioria das pessoas consegue só com dieta.
Um detalhe importante: nos estudos, o remédio vem sempre junto de orientação alimentar e mudança de hábitos. Ele reduz a fome, mas não substitui o resto.
Quais são os efeitos colaterais?
Os mais comuns são gastrointestinais: náusea, vômito, diarreia e prisão de ventre. Costumam ser de leves a moderados e tendem a diminuir com o tempo, mas incomodam bastante no começo.
Existem também contraindicações e riscos mais sérios (ainda que raros), e é por isso que o uso precisa de avaliação médica. As canetas não são indicadas na gravidez, e histórico de certos tumores de tireoide ou de pancreatite entra na conversa com o médico. Automedicação aqui é perigoso.
Quem pode usar?
Não é remédio estético nem atalho para perder poucos quilos. No Brasil, a Anvisa aprovou o uso para obesidade (IMC igual ou acima de 30) ou para sobrepeso (IMC igual ou acima de 27) com alguma comorbidade, como diabetes ou hipertensão.
Quem decide se a caneta faz sentido, qual delas e em qual dose é o médico, de preferência um endocrinologista, olhando o seu caso inteiro. O que serve para uma pessoa pode não servir (ou não ser seguro) para outra.
O que acontece quando para de tomar?
Boa parte do peso costuma voltar. No acompanhamento do estudo STEP 1, as pessoas recuperaram cerca de dois terços do peso perdido em um ano após parar a semaglutida. Isso mostra que a obesidade é tratada como uma condição crônica: o remédio ajuda enquanto é usado, e parar sem uma estratégia costuma trazer o peso de volta.
Por isso os hábitos continuam sendo a base. Alimentação, movimento e sono são o que sustenta o resultado, com ou sem medicação, como explico no guia sobre metabolismo e platô.
Vale a pena? A visão honesta
Para a pessoa certa, com indicação e acompanhamento, as canetas são uma ferramenta poderosa que mudou o tratamento da obesidade. Ao mesmo tempo, não são um atalho sem custo: têm efeitos colaterais, exigem prescrição, tendem a precisar de uso prolongado e não dispensam a mudança de hábitos.
As duas coisas são verdade: o remédio pode ajudar muito e o estilo de vida continua sendo essencial. Se você acha que pode ser o seu caso, o próximo passo não é comprar por conta própria, é conversar com um médico.
Com ou sem caneta, o hábito é a base que sustenta o resultado. Para construir isso com método e companhia, dá para começar de graça no Desafio Magra em 15.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. O uso de qualquer medicamento deve ser avaliado e prescrito por um médico.
Referências
- Wilding J. P. H. et al.: Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP 1) (New England Journal of Medicine, 2021).
- Jastreboff A. M. et al.: Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-1) (New England Journal of Medicine, 2022).
- Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension (Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022).
- Agência Brasil: Anvisa aprova uso do medicamento Mounjaro para perda de peso (2025).