Compulsão alimentar

Compulsão alimentar e comer emocional: o que ajuda

Por que a gente come por ansiedade e emoção, a diferença entre comer emocional e compulsão alimentar (TCAP) e o que ajuda, sem mais uma dieta restritiva.

Compulsão alimentar e comer emocional: o que ajuda

Comer por ansiedade, tristeza ou cansaço é muito mais comum do que parece, e não é falta de força de vontade. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para sair do ciclo, e quase nunca a resposta é mais uma dieta restritiva.

Por que a gente come por ansiedade ou emoção?

Porque a comida alivia a emoção rápido, e o corpo aprende esse atalho. Sob estresse, o cortisol sobe e aumenta a vontade de alimentos ricos em açúcar e gordura, além de mexer com os hormônios que regulam a fome e a saciedade (grelina e leptina). Ou seja: a vontade de comer nesses momentos é real, tem base fisiológica, e não é frescura.

O problema não é sentir a emoção, é a comida virar a única ferramenta para lidar com ela. Com o tempo, comer deixa de matar a fome do estômago e passa a tentar acalmar a cabeça.

Comer emocional e compulsão alimentar são a mesma coisa?

Não. Comer por emoção de vez em quando (aquele docinho depois de um dia difícil) é comum e não é doença. A compulsão alimentar periódica (TCAP) é diferente: são episódios recorrentes de comer uma quantidade grande em pouco tempo, com sensação de perda de controle e, depois, muita culpa ou vergonha.

O TCAP é o transtorno alimentar mais comum e atinge cerca de 3,5% das mulheres ao longo da vida. Não é questão de “comer demais às vezes”, é um sofrimento repetido que merece cuidado, não julgamento.

Uma dieta muito restritiva piora a compulsão?

Costuma piorar, sim. A restrição extrema alimenta o próprio ciclo: você corta demais, sente fome e privação, tem um episódio de compulsão, se enche de culpa e responde com mais restrição ainda. É uma roda que gira sozinha.

Por isso proibir alimentos raramente funciona a longo prazo. O “não posso” costuma virar “comi tudo”, e a culpa depois só aperta o botão de novo.

O que ajuda a parar de comer por emoção?

O caminho não é outra dieta, é tirar a comida do papel de único conforto. O que costuma ajudar:

Para o TCAP, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o tratamento com melhor evidência, muitas vezes com apoio de uma nutricionista. Não é força de vontade que falta, é a ferramenta certa.

Tem relação com o ciclo menstrual ou com o ovário policístico?

Tem. Na semana que antecede a menstruação, a vontade de comer (principalmente doces) aumenta de verdade, como explico no texto sobre TPM e ganho de peso. E mulheres com síndrome dos ovários policísticos têm mais chance de apresentar compulsão alimentar, então vale um olhar ainda mais cuidadoso e sem autocobrança.

Quando procurar ajuda?

Procure ajuda se os episódios são recorrentes, causam sofrimento ou vêm com a sensação de que você não consegue parar. Um psicólogo e uma nutricionista juntos costumam ser a melhor dupla, e o TCAP tem tratamento.

Se a dor emocional está intensa a ponto de pesar demais, você pode ligar para o CVV no 188 (ligação gratuita, 24 horas). Pedir ajuda é cuidado, não fraqueza.

Uma rotina mais leve com a comida é mais fácil de construir acompanhada. Se o seu momento é de organizar hábitos no dia a dia, com apoio profissional sempre que precisar, o Desafio Magra em 15 pode ser um bom primeiro passo, de graça.

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

Referências

Letícia Souza

Sobre a autora

Letícia Souza

Graduada em Nutrição pela USP, com intercâmbio em Nutrition Sciences na University of Connecticut (UConn) e pós-graduação em andamento na PUC. Criadora do método Magra em 15 e do app Sementes, dedicados ao emagrecimento feminino com saúde.

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