Saúde da mulher

Anticoncepcional engorda? Depende do método

A pílula engorda mesmo? E a injeção? O que a ciência mostra sobre anticoncepcional e peso, a diferença entre reter água e ganhar gordura, sem alarmismo.

Anticoncepcional engorda? Depende do método

“Parei de emagrecer por causa do anticoncepcional” é uma das frases que mais escuto. A resposta honesta é: depende do método, e a diferença entre a pílula e a injeção é grande. Vou te mostrar o que a ciência realmente encontrou, sem colocar a culpa toda no hormônio nem fingir que ele não existe.

Anticoncepcional engorda?

Depende de qual. A pílula combinada não tem evidência de que engorde de verdade; a injeção trimestral é o método que, esse sim, se associa a ganho de peso em parte das mulheres. Colocar “anticoncepcional” tudo no mesmo balaio é o primeiro erro. Método diferente, efeito diferente.

A pílula engorda mesmo?

Não há evidência de que a pílula cause ganho de peso relevante. Uma das maiores revisões sobre o tema, da Cochrane, que juntou dezenas de estudos, concluiu que os grupos que usaram pílula ou adesivo “não mostraram que essas pílulas ou adesivos levaram a mudança de peso” e que “não houve efeito importante sobre o peso”. A conclusão dos autores é cautelosa e honesta: a evidência é insuficiente para provar um efeito, “mas nenhum efeito grande é evidente”. Traduzindo: se engorda, não é o que esses estudos conseguem mostrar.

Então por que sinto que engordei com a pílula?

Na maioria das vezes é retenção de líquido no começo, não gordura nova. É comum notar um inchaço nos primeiros meses, e ele costuma se ajeitar. Como explica a Cleveland Clinic, “o excesso de peso por retenção de água deve se estabilizar cerca de três meses depois de começar o anticoncepcional”, e dificilmente é a ponto de causar grandes variações na balança. Reter água e ganhar gordura são coisas diferentes, do mesmo jeito que a gente vê na TPM: incha, e depois desincha. Vale também olhar o retrato inteiro: idade, rotina, sono e apetite mudam ao mesmo tempo em que você começou a pílula, e às vezes a culpa vai parar no hormônio sem ser dele.

E a injeção anticoncepcional engorda?

A injeção trimestral (o acetato de medroxiprogesterona) é a exceção: ela se associa a ganho de peso de verdade. O NHS, o serviço de saúde britânico, diz sem rodeios que com a injeção “é mais comum ganhar peso”, ainda que costume ser “uma pequena quantidade”. A revisão da Cochrane sobre métodos só de progesterona encontrou, na maioria dos estudos, ganho médio “menor que 2 kg em 6 ou 12 meses”, com as usuárias da injeção ganhando mais que quem não usava hormônio.

Quanto a injeção faz engordar?

Costuma ser alguns quilos, e o efeito é maior em quem começa mais nova. Os números variam: a Cochrane fala em menos de 2 kg na maioria dos estudos nos primeiros 6 a 12 meses (e um pouco mais ao longo de 2 a 3 anos). Um estudo brasileiro publicado na revista da FEBRASGO observou, em adolescentes, ganho médio de 3,9 kg em 12 meses, o principal motivo de desistência do método. As adolescentes e quem já começa com mais peso tendem a ganhar mais. Não é “a injeção faz todo mundo engordar muito”, é “alguns quilos, mais provável em usuárias jovens”.

Vou trocar de anticoncepcional para emagrecer?

Essa é uma conversa para você e o seu ginecologista, não para a balança sozinha decidir. Anticoncepcional é sobre proteção e saúde, não é ferramenta de emagrecimento. Se você desconfia que o seu método está pesando (literalmente), leve isso para a consulta: existem várias opções, e trocar às vezes ajuda, às vezes não. O que não vale é parar por conta própria um método que te protege.

O hormônio é desculpa para não emagrecer?

Não, e também não é vilão de tudo. As duas coisas são verdade: a injeção pode somar alguns quilos, e a maior parte do resultado ainda vem da rotina de comida, sono e movimento. Botar toda a culpa no anticoncepcional costuma travar mais do que o próprio hormônio, porque tira o foco do que está na sua mão. Se a sua constância desanda nos dias corridos, o caminho é emagrecer dentro da rotina real, com método e sem se cobrar demais.

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Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um médico ou ginecologista, principalmente sobre qual método usar.

Referências

Letícia Souza

Sobre a autora

Letícia Souza

Graduada em Nutrição pela USP, com intercâmbio em Nutrition Sciences na University of Connecticut (UConn) e pós-graduação em andamento na PUC. Criadora do método Magra em 15 e do app Sementes, dedicados ao emagrecimento feminino com saúde.

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